Pescadores de Ninfetas

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Por: Mauro Sampaio/Acessepiaui Mauro Sampaio/Acessepiaui

Ricardo Luís reflete sobre os quarentões que querem pescar ninfetas

(MS, 07/02/2010, às 09:00:00)

*Por Ricardo Luís de Almeida Teixeira

Uma pescaria não costuma ser muito diferente da outra. Os amigos se separam nos diversos cantos da lagoa ou do rio. Porém, sempre um consegue por pura sorte encontrar um ponto de pesca melhor. Assim, pega um, pega dois, quando chega ao terceiro peixe, seu ponto solitário já está repleto de amigos que querem a mesma sorte. De fininho os pescadores vão chegando ao lugar onde os peixes brotam.

O resultado disso é o aumento da rivalidade entre os amigos. O pescador que achou o ponto milagroso acaba se sentindo ofendido com a invasão do seu território. Os amigos invasores se ofendem por serem tratados com tais. Assim, a pescaria, que haveria de ser um ambiente livre das tensões do dia a dia, se transforma em mais um local de competitividade.

O problema é que todos querem as mesmas coisas, as mesmas vitórias.

Isso me fez lembrar de um velho amigo. Casou e foi feliz no casamento. Todavia, com onze anos de vida a dois, a coisa foi para o espaço. Aos 42 anos se divorciou e passou a levar uma vida de novo solteiro. No começo sofreu, pois estava como um lutador de boxe aposentado que volta aos rinques, não encontrava nunca a noção de distância para acertar os golpes. Mas, uma hora acertou.

Meu amigo encontrou uma mineira de 19 anos que parece uma deusa.

Quando chegou ao ponto oficial de encontro da turma com a beldade, a reação dos amigos foi de espanto. Imediatamente todos se lembraram de suas vidas, de suas escolhas, de suas esposas e sogras. “Como é cruel o destino dos casados”, foi esse o pensamento coletivo e espontâneo. Por um momento, todos pensaram em conquistar a mesma vitória, o mesmo espaço, a mesma liberdade.

A eterna rivalidade masculina brotou em cada pensamento. Todos pensaram em ir ao mesmo ponto da pescaria.

Quando cheguei a minha casa pensei. Um homem de 44 se entupindo de cialis e fazendo morada no cheque especial para surpreender uma menina de 19 será um bom negócio? Prefiro meu velho ponto de pesca. Sou mais uma tainha que me levanta do que um tubarão que me coma. Assim, consegui dormir em paz.

 Ricardo Luís de Almeida Teixeira é defensor público no Estado do Maranhão e escritor. Autor de "As mulheres que não comi",  best-seller na banca do Loiro, no Fórum Sarney, em São Luís. Em breve, lançamento no Beirute da Asa Norte, em Brasília, ponto de encontro da confraria do Piauí.  Dele também é a ideia de que O Futuro do Piauí está no Maranhão

Crônica publicada originariamente no blog de Ricardo Luís no dia 3 de fevereiro: http://rlat05.blog.uol.com.br/ 

Leia mais: Um "pescador de ninfetas" destemido responde

 
 

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07/02/2010, 22:07

Nome: Carlos Henrique Ferreira Alencar
Cidade: Maceió - AL

Conheço alguns que se dizem pescadores de ninfetas que, em verdade, terminam pescando bagres e manjubinhas, e olhe lá.

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