Pinturas ingênuas de um ex-garçom piauiense

Dê sua nota: 

Por: Mauro Sampaio/Acessepiauí Mauro Sampaio/Acessepiauí

Exposição de quadros de Tony Lima no Espaço Cultural do Senado Federal

(MS, 03/05/2009, às 11:39:29)

Aqui faltará o dono dos quadros. Uma pena. Seria interessante entrevistar o piauiense Tony Lima. Ele deixou suas pinturas a óleo aos cuidados da curadora Márcia por uma semana no Espaço Cultural Senador Ivandro Cunha Lima, no Senado Federal, e foi cuidar da vida. Quem conhece arte afirma que o ex-garçom acertou em cheio ao trocar de profissão. Desde 1993, Antônio Carlos Lima, 45 anos, natural de Parnaíba, ingressou no circuito das exposições. Foi premiado no Pinte Brasília (1996) e na Coletiva Pátio Brasil (2003).

Dois senadores colecionadores, até um dia antes do encerramento da exposição, na última quinta-feira (30), gostaram e reservaram trabalhos de Tony Lima: Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Uma tela do piauiense pode valer R$ 3 mil. Um autodidata, que começou a rabiscar ainda criança. Descobriu seu talento quando veio morar em Brasília, nos anos 1980. Seu orientador, um balconista de uma casa de material artístico, a Poliarte. Tony Lima conheceu a tinta e o óleo de linhaça. Deixou a bandeja de garçom para virar um artista. Vem dando certo.

As duas telas na foto atraíram o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Tony Lima expôs durante uma semana no Espaço Cultural Senador Ivandro Cunha Lima. Já conquistou seu lugar ao sol no mundo dos artistas. Autodidata, reconheceu-se pintor ao vir morar em Brasília, em 1980. Largou o trabalho de garçom para se dedicar e viver do suor de seus quadros. (foto: Mauro Sampaio/Acessepiauí) 

Ele pinta especialmente mulheres. Diz que sua inspiração é a Chiquinha do programa de televisão mexicano Chaves. A pintora e escultora Flavita Obino Boeckel chama a isso de “pureza” e declara: “Desde o primeiro momento percebi o requinte de detalhes e o primor da pintura de Tony Lima, que, partindo de uma bordadura de fundo para uma total superposição de figuras e de objetos na tela, leva-nos praticamente a um exaurimento do olhar. O preciosismo pictórico do artista nos transporta a um mundo repleto de fantasias sem que, apesar da abundância de elementos, provoque confusão das mesmas. Ao contrário, em seu trabalho predomina uma composição cuidadosa e correta para aquilo a que se propõe o artista. Indubitavelmente ingênua, sua pintura tem um quê das figuras longilíneas de Modigliani e um certo tracejado das primeiras obras de Juarez Machado.”

O interessante é que Tony Lima nunca buscou inspiração em grandes pintores. Ele traçou linhas e compôs suas mulheres como as via em sonhos. Um autodidata ingênuo, puro, talentoso e vencedor.

 
 

Comente esta notícia

Nenhum Comentário! Seja o Primeiro

» Leia todos os comentários (0)




OBS: COMENTÁRIOS OFENSIVOS OU QUE FAZEM PROPAGANDA DE CANDIDATOS NÃO SERÃO ATIVADOS.