Líder do PT no Senado, Alozio Mercadante (SP), confessa: só é possível governar com o PMDB
(MS, 03/07/2009, às 16:24:34)
O PMDB ouviu ontem (2) do líder do PT no Senado Federal, Aloizio Mercadante (SP), uma confissão: o presidente Lula não conseguiria governar sem o apoio do partido. Com a crise José Sarney a todo vapor, Mercadante, que gostaria de ver o peemedebista afastado da presidência da Casa mais vigiada do Brasil, assumiu que a "governabilidade" impõe limite à sua posição pessoal e à própria liderança.
Para justificar a defesa de José Sarney, o líder do PT criticou a atitude do DEM de pedir o afastamento do presidente e jogou parte da responsabilidade pela crise no colo do DEM, que comanda a primeira secretaria, que é a "prefeitura" do Senado: "Não me parece uma boa atitude da bancada do Democratas. Eles recém elegeram esta Mesa e apoiaram a candidatura de José Sarney. Estiveram na primeira secretaria, que tem uma imensa responsabilidade administrativa, durante todo o período em que estive nesta Casa. Como simplesmente se retirar neste momento e dizer que a responsabilidade da crise é exclusividade do presidente José Sarney? Isso não contribui, isso não ajuda. Nós temos, cada um, que assumir a nossa exata responsabilidade por esse processo."
O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), contestou o petista: a decisão não significava deixar de assumir responsabilidade, mas era preciso ter mais "apreço" pelo Senado Federal do que pelo seu presidente. Heráclito Fortes disse que se ocupava a primeira secretaria a "culpa" poderia ser debitada ao PT, que resolveu lançar Tião Viana (PT) contra José Sarney. O democrata piauiense foi voto vencido na bancada: ele não concordou com o pedido de afastamento do peemedesbista da presidência.
Aloizio Mercadante dialogou com os opositores, mas preocupou-se sobretudo em aproximar o PT do PMDB: "Não há governabilidade sem o PMDB. Não há." Sua liderança havia chegado ao limite, a relação do Poder Executivo com o Poder Legislativo. Lula precisa e quer o PMDB ao seu lado e como aliado em 2010: "Portanto, não me peçam aquilo que eu não posso fazer. Não me peçam um ato ingênuo, espontâneo, oportunista, que permitisse fragilizar a governabilidade. A nossa bancada não pode e não fará isso. Nós queremos a reforma do Senado. Nós queremos a punição dos responsáveis, nós queremos uma apuração rigorosa. Nós queremos ir a fundo nessa construção, mas nós sabemos da nossa responsabilidade pela governabilidade e, com muita transparência, nós vamos continuar defendendo a governabilidade, a aliança com o PMDB, que é fundamental para o País, sobretudo nesta Casa, tão difícil nas votações, mas nós vamos lutar para mudar o Senado. É imprescindível para o governo e para esta Casa a nossa aliança com o PMDB. Não não temos capacidade de governar. E acho que temos de repactuar a base política do governo. Sabemos que há nesse processo uma disputa político-eleitoral que se aproxima e que as posições vão se definindo no tabuleiro da disputa estratégica que estará em jogo."
Com o que ouviu, não restou ao vice-líder do PMDB, Wellington Salgado (MG), dizer que voltara a admirar Aloizio Mercadante.