(MS, 02/07/2009, às 11:16:48)
O deputado Átila Lira (PSB-PI) não concorda com o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da Presidência do Senado Federal. Para ele, licença ou renúncia somente atenderia a vontade dos donos de jornais e da oposição: “Ele tem que resistir. O Parlamento não pode se render à vontade de uma opinião pública que, na verdade, é a opinião dos donos de jornais e televisões.”
Átila Lira esteve ontem (1) no plenário do Senado para transmitir ao líder do PSB, Renato Casagrande (ES), sua preocupação com a pressão sofrida por José Sarney. Se depender do deputado piauiense, o seu partido dará apoio à resistência. Ele ainda alfinetou o DEM do primeiro secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) por ter apoiado a eleição do peemedebista e agora atuar pelo seu afastamento: “O DEM, no Senado, sempre esteve no poder. Que moral tem para criticar o presidente José Sarney?”
As falhas na administração do Senado Federal, segundo Átila Lira, não podem ser debitadas exclusivamente a José Sarney. O deputado critica a cobertura da crise pela imprensa: “A imprensa age como se fosse a voz do povo. E não é. Ela é a voz dos seus proprietários. Sarney não tem tido chance de se defender. Porque cometeu falhas, e todos cometem, não quer dizer que tenha que deixar o cargo.”
O problema Sarney - O senador João Vicente Claudino (PTB-PI), que integra a base de apoio de José Sarney, aposta na resistência pedida por Átila Lira, principalmente depois que rumores de renúncia não se confirmaram.
Como segundo secretário da Mesa Diretora, ele afirma que todas as medidas necessárias para corrigir os erros administrativos dos últimos 15 anos vêm sendo tomadas. João Vicente Claudino também critica a imprensa: “Afinal, querem apenas que Sarney saia? O problema é só o Sarney? As reformas que estamos fazendo, elas não interessam?”
O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), justifica a decisão do partido de pedir o afastamento de José Sarney como única medida capaz de estancar a crise política. Assim como o editorial do O Globo, Agripino Maia não vê outra alternativa para o Senado dar a volta por cima.
O presidente Lula fez o PT recuar do apoio ao afastamento temporário de José Sarney com um recado da Líbia: a oposição não pode ficar com a Presidência do Senado "no tapetão" porque não será bom para o governo. O primeiro vice-presidente é o tucano Marconi Perillo (GO).
Editorial do jornal O Globo desta quinta-feira (2) considerou como "única saída" para a crise do Senado o afastamento de José Sarney da Mesa Diretora: "A presença de Sarney no comando da Casa serve de natural freio ao andamento das investigações, e ajuda a degradar ainda mais a imagem dele e do Senado. Por isso, o senador deve se afastar. Não é prejulgamento, é precaução ditada pela emergência de um quadro que não deve perdurar." (leia mais: Sarney nada declara sobre renúncia ou licença, DEM pede afastamento de Sarney)