(04/05/2010, às 22:01:52)
Verdade seja dita: depois das brilhantes construção e performance do Coringa de Nolan/Ledger em “O Cavaleiro das Trevas”, os vilões das adaptações de quadrinhos para o cinema ficaram todos óbvios, sem graça, até mesmo repetitivos. E isso termina por repercutir nos próprios heróis, uma vez que o mal, em sua verdadeira natureza, torna o bem mais interessante por mostrá-lo como realmente é: apenas o outro lado da moeda. Existem aqueles que consideram o psicopata de “Onde os Fracos não Têm Vez” ou mesmo o palhaço ensandecido citado acima extremamente caricaturais em suas representações da maldade inerente ao ser humano, louco ou não. De certa forma, é uma tremenda bobagem taxar todos os vilões de loucos; ao se psicologizar demais os personagens, eles tendem a serem unidimensionais e não passarem de... personagens.
É o que acontece em “Homem de Ferro 2”, dirigido pelo mesmo Jon Fraveau do primeiro e mantendo o elenco principal (quase) intacto. Em termos de vilão, o Wiplash, ou Chicote Negro, de Mickey Rourke (ressurgido das cinzas com “O Lutador’) é o arquétipo mais manjado do tipo: torna-se arquiinimigo do herói apenas por motivos de vingança. E quantas vezes já não se viu isso no cinema, e mesmo nos quadrinhos? O que ocorre é a fórmula encontrar-se desgastada em pleno século XXI, obrigando os roteiristas, felizmente, a tentarem ao máximo humanizar o herói para se chegar a um equilíbrio narrativo. Christopher Nolan subverteu essa regra de maneira genial em “O Cavaleiro das Trevas” e entregou ao mundo um verdadeiro clássico. Fraveau, por sua vez, ao rezar pela cartilha, contenta-se com um filme tão divertido quanto o original, mas sem superá-lo.
Em contrapartida, o também ator (ele faz o guarda-costas do milionário playboy, em maior e mais ativa participação nesta continuação) e roteirista de comédias, surpreende com uma direção segura e exata nas sequências de ação. O primeiro confronto de Wiplash e Homem de Ferro em Mônaco é sensacional. Ao contrário de outros diretores, Fraveau imprime realismo em cenas fantásticas, usando com sabedoria o “slow-motion” para conferir êxtase à ação, e não atrapalhar o ritmo do filme. Além disso, ele tem de lidar com o exagero cômico em algumas partes, cortesia do roteiro de Justin Theroux, expositivo em excesso para um blockbuster (ainda se usa esse termo?) com duas horas e pouco. Felizmente, Jon Fraveau se mostra um sujeito com bom senso e preparado para esconder as falhas estruturais da trama. Ainda que não tenha êxito em todas.
Pela cartilha do roteiro de Theroux, que escreveu a sátira “Trovão Tropical” com um inspiradíssimo Robert Downey Jr. no elenco, o protagonista Tony Stark é um clássico narcisista deslumbrado com sua condição de super-herói dos Estados Unidos, mesmo o senado tentando se apossar de sua armadura. Sua jornada, referenciando Joseph Campbell, será chegar ao fundo do poço, afastando todos de si e ainda tendo problemas com a bebida (e parece que Downey Jr. se diverte interpretando a si mesmo), para perceber o peso de seus atos e assumir suas próprias escolhas. Só assim pode quebrar seu individualismo para enfrentar o exército de robôs criados por Wiplash, aceitando a ajuda do coronel Rhodes (Don Cheadle inexplicavelmente assume o lugar de Terrence Howard), agora também devidamente “armadurado” – nos quadrinhos, ele é conhecido como Máquina de Guerra.
Completando o elenco, arruma-se pouca coisa para Gwyneth Paltrow fazer até a eterna tensão entre ela e Stark subir um degrau, Sam Rockwell é quem mais parece descontraído no papel do rival empresário do protagonista e, por maior sua beleza e formosura, Scarlett Johansson está ali apenas para daqui uns anos protagonizar o spin-off de sua personagem, a Viúva Negra. Torcemos para não resultar em outro “Elektra”, total fiasco com a personagem de Jennifer Garner em “Demolidor – O Homem sem Medo”. Além desses, Mickey Rourke não tem o final com mais impacto que seu vilão merecia, enquanto Samuel L. Jackson mais uma vez dá as caras como Nick Fury, única e exclusivamente com o propósito de fazer o gancho com o filme “Os Vingadores”, a reunir os grandes super-heróis do universo Marvel. Faltam “Capitão América”, cujo escudo surge aqui, e “Thor”, ambas produções a todo vapor no momento. Estão prometendo “Os Vingadores” para 2012.
O que resta é esperar.
Ficha:
Iron Man 2, EUA, 2010
Aventura
124 min
Cinema – com Samira, Caio Bruno e Filipi “Cloud”
Cotação: * * *
Serviço:
A Locadora Vilex se localiza na Av. Nações Unidas, 1270. Contato: (86) 3218-6054 e (86) 8806-6054.
07/05/2010, 09:25
Nome: hermanoo que seriam as novidades sem as fórmulas meu caro amigo? pergunta óbvia, mas pertinente, não?! abraço.