1989, Brasil e Berlim

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(16/11/2009, às 08:26:04)

Aquele novembro de 1989, literalmente, não teria deixado pedra sobre pedra. Ruidosamente, desmilinguira o chamado Muro de Berlim. Lá na Europa.

No Brasil, era véspera da primeira eleição presidencial direta desde 1960. Ruidosamente, a direita brasileira festejou. E o fez, usando a queda do muro como principal instrumento de campanha eleitoral midiática contra o candidato Lula e contra todas as forças político-partidárias identificadas com o ideário da esquerda.
A queda do muro de Berlim é um marco simbólico do fim do império soviético erguido por Stálin sobre as bases da revolução proletária russa de 1917. Revolução que aguçou os sonhos da maioria dos viventes portadores de tendências libertárias nas várias partes do mundo.

Brandindo a contraconsigna do “fim da história”, formulação radical de Fukuyama e representativa do estado de espírito do conservadorismo, a grande mídia engajada na ideologia liberal fez enorme alarde, afirmando o fim da esquerda, dos sonhos de revolução, da pertinência da luta política e do direito humano à rebeldia, assim proclamando, em êxtase, a vitória final das forças do K no encaminhamento da vida social.

No Brasil, naquele momento de grave decisão política e com o povo mobilizado em grandes comícios e outros atos públicos de uma campanha muito polarizada, as forças liberais, assustadas com a possibilidade de vitória do PT e de Lula, para irem à forra, não precisavam de melhor presente que esse revés dos partidos comunistas do chamado leste europeu. Boa parte dos lutadores sociais de então tinha sua sensibilidade e formação políticas elaboradas nos marcos intentados em outubro de 17.

Berlim reunificada, em ruínas o chamado socialismo realmente intentado no Leste, restava à esquerda, aos que continuavam acreditando que a história não terminara, entender criticamente aquela conjuntura cheia de adversidades. Repudiar a conversa de má-fé de “fim da história” e afirmar a necessidade imperativa de continuar a luta contra as várias formas de exploração, que ali mesmo naquele 1989 afirmavam-se mais agressivas, como se provaria nas duas décadas seguintes.

Aqui no Brasil, o desafio era eleger Lula, cuja candidatura expressava ao mesmo tempo uma ruptura com a perspectiva socialista do partido russo, mas que congregava parte significativa dos quadros da esquerda de inspiração marxista, além dos lutadores pela democracia radicalizada nas maiorias mobilizadas pelos movimentos sociais.

Com o muro de Berlim não cairiam os partidos únicos dirigentes na China, Cuba, Coréia do Norte e noutros estados menores. Mas restaria quebrada uma bipolarização insistente desde o fim da chamada “segunda guerra mundial”, opondo os impérios russo e norteamericano. Como se dizia, comunismo versus capitalismo –com todas as simplificações possíveis em assim afirmá-lo.

Em 17 de dezembro de 1989, a Frente Brasil Popular, de Lula, apanhara nas urnas e Collor, “o caçador de marajás”, mimo da direita, triunfava eleitoralmente tornando-se presidente do Brasil.

Triunfou o neoliberalismo, no ocidente, em particular; um “consenso em Washington” impôs-se ao mundo e abriu-se uma nova e tenebrosa temporada de exacerbação da exploração de patrões sobre empregados, de países sobre países, de empresas sobre estados nacionais. Um colonialismo com todas as perversões já conhecidas e outras mais.

No Piauí, em Teresina, na Ufpi, os estudantes comemoravam naquele novembro os dez anos do DCE-Livre –agora com 30 anos.

E os ressoos vindos de detrás do Muro foram tão fortes em nosso juízo, que muitos de nós, até hoje, não tivemos tempo de nos licenciar da luta pelas transformações sociais que possam trazer ao cenário a democracia para além das afirmações retóricas de cartas e mais cartas de lei ...
Fonseca Neto, escreve às segundas-feiras nesta página.

 
 

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16/11/2009, 16:31

Nome: José Henrique de Sousa
Cidade: Teresina - PI - PI

Como explicar a direita que dá apoio ao Lula, como é o caso de Sarney, Renan e Collor? Ou eles agora são de esquerda?

16/11/2009, 10:20

Nome: João Francisco
Cidade: Teresina - PI

Collor, agora,é mimo de quê?

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