Famílias temem o futuro por falta de informação sobre o Lagoas do Norte

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Por: Fernanda Dino/Acessepiauí Fernanda Dino/Acessepiauí

Moradores do bairro São Joaquim se reuniram hoje

(FD, 16/04/2009, às 18:00:54)

Por Fernanda Dino

Moradora há 32 anos do bairro São Joaquim, zona norte de Teresina, a professora Francisca Alves disse não sabe o que vai acontecer com ela após a realização do projeto Lagoas do Norte na região. Há cerca de 10 anos, ela e o marido, falecido há seis, iniciaram um trabalho com criação de peixes, o que contribui desde então com a renda da família.

“Meu marido, antes de morrer, dizia: eu tenho medo de eu morrer e você ficar aqui nesse lugar e quando chegar esse projeto você não saber explicar o trabalho que nós tivemos, o suor que nós derramamos, as noites de sono que nós perdemos. Eu tenho medo de você não saber explicar e eles quererem lhe dar qualquer coisinha que não compense”, relembrou.

Assim como ela, a situação também é incerta para outras famílias que residem no bairro São Joaquim, mais carentes que a de Francisca Alves. A informação é da líder comunitária Maria Lúcia de Oliveira, que nesta tarde se reuniu com vários moradores do bairro São Joaquim. Segundo ela, há cerca de três meses entidades da região se reuniram e formaram um comitê para discutir a respeito das dúvidas que o Lagoas do Norte ainda gera na população.


Francisca Alves diz que não sabe o que vai acontecer com ela após o projeto

“Nós somos totalmente a favor do projeto, porque a zona norte precisa ser revitalizada. Mas já que o projeto visa também à questão de geração de emprego e renda, como é que nós vamos participar? Onde é que a gente vai participar? Será construído um grande restaurante aqui, para virar área turística. Eu posso trabalhar nesse restaurante? A gente sabe que a população aqui é muito pobre. Esse dinheiro veio para trabalhar a região, então tem que ser investido nas pessoas pobres que estão aqui”, ressaltou Maria Lúcia.

Segundo a líder comunitária, uma das críticas que o comitê tem em relação ao projeto é que o destino de cada morador será discutido individualmente com a prefeitura. De acordo com ela, no local, há varias famílias que têm plantações no quintal e que sobrevivem do que a natureza oferece na região.

“Ontem conversei com um assistente social que me disse que cada morador vai ser chamado individualmente. O que nós queremos é que seja chamado o coletivo, porque quem mora em beira de lagoa não tem acesso a informação. É muito mais fácil você chegar para uma pessoa que mora da beira da lagoa e fazer qualquer coisa, do que você chamar o coletivo e conversar”, alertou.


Maria Lúcia de Oliveira, líder comunitária do bairro São Joaquim

“No caso da dona Francisca é diferente, porque os filhos delas já estão na universidade, no meu caso também. Eu sei me defender. Mas no caso de uma pessoa que não sabe se defender, que não sabe nem quais são os seus direitos?”, completou Maria Lúcia.

Apesar das reuniões que já foram feitas com a população com a presença de técnicos da administração municipal – a última delas ocorreu no dia 21 de marco –, não ficou esclarecido por completo o impacto que o projeto vai causar na vida das pessoas que moram no lugar, de acordo com a líder. “A maioria da população do São Joaquim é analfabeta e do jeito que eles expõem não dá para as pessoas entenderem o projeto, qual será o impacto humano dele, o impacto ambiental. Ninguém sabe”.

Projeto Lagoas do Norte – O projeto Lagoas do Norte prevê investimentos de cerca de R$ 100 milhões, com recursos provenientes de empréstimos feitos pela prefeitura de Teresina junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), Banco Mundial e Governo Federal. O objetivo, segundo a administração municipal, é melhorar as condições de vida e promover o desenvolvimento sócio econômico e ambiental da região das lagoas situadas na zona norte da capital.


Como ficará a Lagoa da Piçarreira segundo o projeto
Foto: Semplan

Para isso, as ações incluem desde a transformação da infra-estrutura física da região, à preservação e valorização do meio ambiente. A área de intervenção inclui 13 bairros: Acarape, Matadouro, Alvorada, São Joaquim, Nova Brasília, Mafrense, Olarias, Poti Velho, Itaperu, Alto Alegre, Aeroporto, São Francisco e Mocambinho.

Segundo a prefeitura de Teresina, famílias situadas em áreas de risco de inundação, às margens das lagoas e de canais, e áreas de preservação ambiental, serão removidas. Haverá a construção de residenciais e indenização para as famílias que recusarem as casas disponibilizadas pela Prefeitura.

 
 

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21/04/2009, 02:30

Nome: Fernancio
Cidade: Teresina - PI

Lagoas do Norte. Um projeto com força do poder público em direção a ocmunidade popular. Lá vive os primeiros habitantes de teresina, são na maioria povos nativos. Querem participar de forma coletiva das discursões com o poder público. Gente sofrida que tem mais de 500 anos de história, são os descendentes de povos nativos que produzem na terra, olaria, ceramica, piscicultura. Conservam as margens do Poti e do Paraníba. Esperam apenas a democratização das informações por assembléia popular onde o povo tenha voz e vez. Conhecer as informaçõe dengenharai que vai modificar a vdi desta gente é o que estão procurando. Como sugestão poderia fazer um trabalho sustentável onde o aproveitamento dos residus solidso devem ser reciclados. O manejo da população dentro de uma lógica em que possibilite a continuidade da cultura formada desde muitos anos. o debate está em cosntrução um projeto que está em uma etapa delicada: construção e manejo de populaçãoes inteiras. Espera-se que o povo possa interferir de forma positiva para criar um turismo sustentável dentro do equilibrio social solidário.

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