Líder de camelôs excluídos cobra sensibilidade do prefeito

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Por: Pollyanna Carvalho/Acessepiauí Pollyanna Carvalho/Acessepiauí

Eric Luís Araújo, líder dos camelôs excluídos

(ACL, 03/07/2009, às 11:50:48)

Adriana Cláutenes Lemos
Repórter

O líder da Comissão Independente que Analisa o Processo de Remoção dos Camelôs do Centro, Eric Luís Araújo, em entrevista ao Acessepiauí, reafirmou que foi contemplado com box no Shopping da Cidade, mas está ao lado dos que foram excluídos do processo por uma questão humanitária, e não política.

“Sei o que é ter um pai desempregado e passar por dificuldades. Sou camelô há mais de 15 anos, comecei a trabalhar de modo informal com o início da Feira do Livro, depois me transferia para a Praça Rio Branco, onde trabalhei em uma banca alugada até comprá-la”, afirmou.

Entre outras afirmações, o ambulante que é formado em Letras pela UESPI, diz que o processo de levantamento da real quantidade de pessoas que está trabalhando na informalidade foi equivocado por parte da prefeitura, o que deixou muitos de fora do shopping.

Eric Luís diz ainda que existem pessoas com dois pontos dentro do Shopping da Cidade, inclusive, comerciantes formais do ramo de atacado. “Isso precisa ser investigado”. Além disso, acusa a prefeitura de insensibilidade. “Essas pessoas querem realmente trabalhar. Fome não pode esperar”.


Acessepiauí – Qual é sua opinião acerca do Shopping da Cidade?

Eric Luís – O shopping é um projeto aceito por todos os camelôs, foi algo desejado, um sonho de muito tempo. Pessoalmente nunca critiquei o shopping nem a revitalização do centro, pelo contrário, sou plenamente a favor. A questão é que o prefeito Silvio Mendes, não sabemos por que, numa pressa ao qual ele diz ser a execução de um cronograma, tira as pessoas do centro num processo equivocado de transferência, colocando muitas pessoas no shopping sob a violência do sol, com boxes arrodeados de tapumes, com lugares interditados por pilastras, setores isolados. Ou seja, o que o projeto contemplava era um cartão postal, com metrô funcionando, estacionamento aberto, áreas do sol cobertas por toldos, um projeto pleno que satisfizesse a classe de comerciantes informais. Mas o que acontece, para cumpri o cronograma dele – não sei por que da pressa já que o HUT demorou mais de 20 anos para inaugurar – deu pressão nos camelôs que em nenhum momento deram pressão para ir para o shopping, mas sim esperaram para que tudo ficasse concluído. O fato é que muitos companheiros não foram buscar os boxes, existem muitos fechados, uma coisa que contraria o desejo de passar para dentro do empreendimento, muitas pessoas estão sem vender nada. Critico é o processo de remoção neste momento, temendo a quebradeira de muitos companheiros, que precisavam trabalhar para ter seu sustento. Eles não podem esperar um retorno a longo ou médio prazo.

Acessepiauí – E com relação à existência de um supermercado dentro do Shopping, qual é seu posicionamento?

Eric Luís – Também não sou contra. Meu posicionamento é a favor do supermercado, porque dentro da sistemática do comércio é necessário que existam atrativos para que não fique resumido só ao comércio informal. Nunca fui contra nada dentro da estrutura do shopping, nunca me envolvi politicamente dentro dessa questão. A questão aqui é realmente a viabilidade do comércio informal para que as pessoas não cheguem a falir, porque são anos e anos de trabalho. Há pessoas com 20 anos trabalhando nisso e que sustentaram sua família e formaram seus filhos. Acho que o problema é esse.

Acessepiauí – Na avaliação da Comissão Independente que Analisa o Processo de Remoção dos Camelôs, quantos ambulantes ficaram de fora desse processo?

Eric Luís – Sem política alguma, sem essa política partidária nojenta posso afirmar que são mais de 400.

Acessepiauí – Esses ambulantes eram sindicalizados? Participaram do processo de cadastramento e sorteio dos boxes para o Shopping?

Eric Luís – Esses 400, infelizmente por algum motivo, não estavam no momento do cadastrado ou porque estavam doentes ou viajando para comprar mercadoria. Penso que a prefeitura devia ter analisado que este problema do comércio informal é crescente e devia ter criado um cálculo para saber como esse crescimento de pessoas para o mercado informal se dá. Eles fizeram um projeto que não comportava essas pessoas já no momento em que o shopping ia ser inaugurado. Se achavam que 1.800 boxes iram comportar o número de comerciantes, deviam ter feito mais mil para garantir acomodar todos. Então, o trabalho de mapeamento da necessidade foi muito mal feito. Volto a repetir que consegui me colocar nesse cadastrado, fui contemplado, sou camelô durante muito tempo, paguei minha formação na UESPI, sustentei meus estudos, sou formado como professor de língua portuguesa e estou aqui solidário com essas pessoas que ficaram sem trabalho, porque já vive momentos em minha vida que meu pai ficou desempregado e sei como a situação é difícil. Muitas pessoas me criticam por estar me expondo ou achando que é uma questão política, mas não é. É uma questão humana e de solidariedade com essas pessoas que estão sem trabalhar, passando fome e desesperados. Fome não pode esperar.

Acessepiauí – Hoje já estão fazendo a ocupação da Praça da Bandeira, onde muitos locais encontram-se demarcados com giz.

Eric Luís – Estamos ocupando pacificamente a Praça da Bandeira, uma vez que os camelôs entendem que aqui é um local melhor para o trabalho, por ser sombreado, próximo ao comércio e das paradas de ônibus, já na Praça do Fiprisa fica muito distante do setor comercial. Então essas pessoas ficaram isoladas, perdendo dias de trabalho e ficando no prejuízo. É uma questão de sensibilidade do prefeito Sílvio Mendes de reconhecer que são realmente pessoas que querem trabalhar.

Acessepiauí – E sobre a questão da revitalização do centro de Teresina, o que você opina?

Eric Luís – Acho que é uma questão importante para a cidade, pela questão de passagem de pessoas, pela questão do trânsito. O processo de revitalização tem de se dá em algum momento, mas acho que existe o trabalhador, a questão do humano, daquele que está passando fome é uma questão muito mais urgente e que tem de ser vista com mais delicadeza.

Acessepiauí – Ontem, durante a organização do movimento dos ambulantes, que foi realizado na Prefeitura, alguns ambulantes excluídos relataram que CD e DVDs piratas foram tomados na Praça do Fripisa, enquanto que dentro do Shopping da Cidade a venda está sendo feita, mesmo que de modo camuflado. Qual sua opinião acerca desse fato?

Eric Luís – Todos os companheiros que trabalham com DVDs foram informados que não pode. Essa é uma questão que passa a margem do shopping, é uma questão penal relacionada à pirataria e direitos autorais. Essa é uma questão que a prefeitura não tem nada a ver e os companheiros que estão fazendo isso lá dentro estão agindo errado e sabem que a qualquer momento vão ter suas mercadorias apreendidas.

Acessepiauí – E sobre o fato de que alguns camelôs têm dois pontos dentro do Shopping da Cidade?

Eric Luís – Isso é uma verdade absoluta que precisa ser investigada. A gente houve falar disso sim, que pessoas do sindicato são acusadas disso. Não posso assinar em baixo dessa informação, mas são coisas que a gente ouve dizer, inclusive, que existem pessoas do ramo comercial instaladas lá dentro, do ramo de atacado e produtos de variedade para fornecer produtos para os camelôs.

 
 

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