(FR, 25/06/2009, às 16:24:14)
Por Flávia Rocha*
Antes de se discutir a liberdade de expressão, a forma como saiu a decisão do STF, a legitimidade dos autores da Ação Civil Pública acolhida pelo Supremo, o suposto presente dos militares aos jornalistas mansos com o regime em 1969 (ou seja, o Decreto Lei 972/69 que regulamenta a profissão dos jornalistas), as novas mídias, questões maniqueístas como a reserva de mercado, a ameaça aos cursos de bacharelado em comunicação social com habilitação em jornalismo, os planos de guerra dos coordenadores de cursos para manter agora os universitários nos cursos, a vigente grade curricular fazedora de marionetes, o diploma como reconhecimento para jovens vítimas de uma educação ruim (estimulada em parte pelo modelo de vida social imposto pelo capitalismo, outra parte pela burrice crônica que está nas nossas veias, pelos vícios que nos afastam das leituras produtivas, dos grupos de estudos, de pesquisas ou de discussões), antes de tudo isso a gente tem que pensar no fim: nela, a sociedade.
Para se chegar a um ponto justo, o foco nessa discussão toda, tão cheia de argumentos, deve ser naqueles que nos ouve, nos lê, nos assiste, e naqueles que não nos ouve, não nos assiste, ou nem lê, mas que acima de tudo precisa de informação de qualidade, de conteúdo, que provoque questionamentos, capaz de provocar melhorias no dia-a-dia, de notícia dada com isenção, sem segunda e terceiras intenções.
A sociedade não quer mais notícias sem propósito, sem por que, pela metade, de um olho só, que mais esconde que mostra, que nos deixa envergonhados. Acredito que a sociedade precisa de gente com conhecimento suficiente, tão quanto disposição, vontade, gente com jeito de gigante, gigantes de princípios, de espírito, de ideias, gente sem vergonha mas cheia de escrúpulos, gente que adore dinheiro mas faça questão de saber de onde ele vem.
*Flávia Rocha é jornalista