Pedra, Arte, História

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Por: Divulgação Divulgação

Professor Fonseca Neto

(FN, 07/07/2009, às 12:13:35)

O portal Acessepiauí tem a honra de informar aos nossos leitores que agora semanalmente o Professor da UFPI, Antônio Fonseca dos Santos Neto, a exemplo do que já faz através do jornal Diário do Povo,  postará seus artigos também neste espaço. O professor Fonseca Neto recebe amanhã, 08.07, as 10h30, na Assembléia Legislativa do Piauí, o título de Cidadão Piauiense, honraria proposta pelo deputado João de Deus Sousa. A coordenação do portal agradece a colaboração do professor e brinda os leitores com o primeiro artigo do professor que segue abaixo.


Por Fonseca Neto

Uma imersão em profundidade nas instâncias do tempo em busca da humanidade pretérita: isto resume o que fazem, na serra ultimamente chamada “da Capivara”, os escrafunchadores de boqueirões e das faces rugosas de pedras talhadas e furadas.
 
Parte desse esforço, encerrou-se na sexta o Congresso Internacional de Arte Rupestre, maior evento mundial na área, momento de grandeza que trouxe ao Piauí – designação genérica desta região nos três séculos recentes– notáveis pesquisadores dessa arte no mundo.

As pedras pintadas daqueles paredões são objeto da contemplação dos viventes racionais de hoje em busca de pistas sobre o modo de vida de sua ancestralidade; a tudo capturar das brumas do tempo fugidio, datar e significar.

Durante o Congresso, numa de suas muitas sessões de comunicação de pesquisa e outras palestras, alguém chamou a atenção para a alegria com que teriam vivido os capivarões ancestrais, característica atestada pelas cenas do cotidiano fixadas nas pedras.

Os registros rupestres, assim também os que vêm revelando a cada dia os fragmentos de carvão ali recolhidos, dão conta de um outro mundo cuja idade se mensura em milênios; um tempo a ser descoberto, por dizer assim ...

Perguntaram-me outro dia: “quem descobriu o Piauí?” Respondi: Niède Guidón. Metáfora. Mas nossa resposta clama atenção para outra questão: aqui nesta parte do mundo habitou uma fração da humanidade que precisa da atenção dos historiadores.

Convencionou-se que a história aqui tem início com a agressão euro de 1.500 e esta atitude plasmada na historiografia logo passou a traduzir como sujeitos da história apenas seus intrusos, excluindo-se outros seres parlantes. Neste vale agora conhecido como do “rio Piauí” ou do “rio Parnaíba”, pode-se dizer que a população aqui encontrada no século cristão do Seiscentos foi desistoricizada. Este uma espécie de neologismo com o qual nos socorremos par afirmar que teve ela sua história negada – e aqui já estamos tateando pelos caminhos de Jóina.

É imperioso desconstruir o episódio da agressão colonial sobre esta parte da face da terra como aventura fundadora para que seja melhor vislumbrada a espécie humana elaborando o espetáculo de sua experiência em plenitude.
Nesse sentido, o episodio da intrusão branca trazendo nos caravelões-tumbeiros seus reféns negros, precisa ser destituído de sua pele aveludada, positivada, obliteradora, para se alcance ver tal espetáculo. 

No plano da experiência humana conhecida nas várias manifestações de sua cultura, a eliminação das populações da floresta aqui feridas pela força, ferro e cultura alienígenas do invasor colonial, é fato cujo conhecimento deve servir à compreensão da tortuosidade da caminhada do ser humano sob os céus. Ainda que – parafraseando Costa e Silva, ao revés– para descobrir que há momentos em que esta terra pareceu a seus filhos milenares um inferno sob os céus.

As artes decifradas e os sopros da experiência humana que se vão fazendo conhecer por tanta jornada de pesquisa, ensejam, a seu modo, contatar essas gentes antiqüíssimas. Ora, não sejam elas as avoengas das homo cepas deste tempo, com certeza o são de frações ainda mais ampliadas do fenômeno humano amplo. Que, aliás, precisa ser tido como historicamente dado; não precisa o pré.
Observando as falas ali no cenário do encerramento do Congresso, a líder Niède e o governador Wellington, em suas considerações, autodeclararam sua indiodescendência. A galera dos 50 países ali presente entreolhou-se, folgou ...

Cá prá nós, pensei: quanta danação ficar exaltando assassino de índio e ladrão de terra em cada verso cantado ... Perdão amarantino querido. Mas há outra arte a cantar. E ela vem gravada na pedra esperançosa da polifonia das sabenças do agora.

FONSECA NETO, professor da Ufpi, escreve semanalmente neste portal.

 
 

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14/07/2009, 20:28

Nome: Erineide
Cidade: Simões - PI

Acompanho os artigos do professor Fonseca Neto e fico sempre ansiosa pra ler o próximo,pense num historiador pelo qual tenho paixão!!! Tivemos a oportunidade de recebê-lo em nossa escola durante um projeto sobre a História do Piauí e ele deixou todos os participantes da palestra sem vontade de levantar das cadeiras,queriam ficar ouvindo ele falar a noite inteira. O artigo aqui postado, como todos os outros, merece muitas "palmadas". MUITO BOM ESSE PROFESSOR!!!!

07/07/2009, 21:44

Nome: JOAO JOSE PEREIRA
Cidade: Teresina - PI

Este Antonio Fonseca dos Santos Neto é mesmo um danado. Maranhense, da Passagem Franca, é um cabra da peste que, certamente com muitas dificuldades, enfrentou percalços de toda natureza para chegar onde chegou. Portador de uma inteligência previlegiada, aprendi a admirar esse moço desde o início da década de 70, quando fomos colega de trabalho. Cidadão maranhense de origem e agora CIDADÃO PIAUIENSE por merecimento. Parabéns! Ah, o artigo está porreta!

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