O velho professor não ministrava aulas de história; escolhia determinado episódio histórico e o interpretava como um ator em cena. Uma manhã, ao falar de Alexandre, o grande, citou uma frase de Felipe II, pai do herói. Ei-la: “Não há fortaleza que resista se nela pudermos fazer penetrar um burro carregado de ouro”. Como ninguém entendeu nada, explicou: “O pai de Alexandre falava do poder da corrupção, que abre todas as portas”. Foi a primeira vez na vida que ouvi a maldita palavra.
Lembrei-me da frase quando a imprensa começou a mostrar a extensão dos tentáculos de Daniel Vorcaro, também conhecido como “o Polvo generoso”. Ao contrário de Felipe II, o banqueiro pródigo, resolveu apressar o processo e, para tanto, serviu-se de uma tropa de burros carregados de dólares, charutos, uísque, mulheres...
O moço conseguiu a rara proeza de minar os alicerces da República e desmoralizar os poderes constituídos. Foi além: disseminou a cizânia entre os que se locupletaram. Todos foram enredados na teia visguenta da corrupção. Segundo um cronista rabugento, a pergunta que se faz hoje não é: quem são os envolvidos? E sim: quanto recebeu cada um? Mais uma vez, o Brasil revela-se imbatível!
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.





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