Em meio à avalanche de notícias tenebrosas, uma fagulha de beleza: um jogador de futebol recomendando a leituras de livros. Não me lembro de ter visto nada parecido nesses últimos 78 anos. O autor da façanha é Gustavo Scarpa, meio-campista do Atlético Mineiro. Em linguagem simples, direta, alegre, o jogador faz pequenos comentários sobre os livros de que gosta. Os resultados têm sido surpreendes: a postagem sobre A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstoi, rendeu, numa semana, mais de 600 mil visualizações. A procura do livro nas livrarias também aumentou significativamente.
Um parêntese: no milênio passado, publiquei uma croniquinha – Pobres meninos ricos - sobre garotos pobres que, da noite para o dia, tornam-se estrelas com salários estratosféricos. No texto, falo que essa molecada, com baixa escolaridade e famílias humildes, acabam fazendo bobagens de todo tipo. Afirmei também que esses rapazes passam mais tempo nas concentrações do que com as famílias. Sugeri que os clubes cuidassem da formação intelectual dessa meninada com aulas de português, inglês, educação financeira, noções de ética, etc.
Scarpa afirma lucidamente que os jogadores precisam ter responsabilidade. “Eu entendi a influência, o poder, a responsabilidade que eu tenho”, declarou. Não deixou de alfinetar os colegas que fazem propaganda de bets (agora, proibidas): “Não sei se todos que divulgam têm consciência do mal podem fazer, da influência que isso gera”.
Não creio que a leitura de bons livros possa melhorar o desempenho futebolístico dos jovens atletas, mas, com certeza, os ajudará a ter uma melhor compreensão da realidade que os cerca. Aplausos para Gustavo Scarpa!
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.





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