Muita gente está me procurando para perguntar por que Lula não vai ao debate da Globo dos Marinhos. A preocupação é sempre a mesma: “Ele vai deixar Flávio Bolsonaro falando sozinho? O debate pode ajudar Flávio a ganhar no primeiro turno?”
Eu acho que é preciso olhar para o outro lado dessa história. A Globo armou uma arapuca para o Lula, está absolutamente claro, e ele fez uma escolha: não participar.
O critério que muda conforme o convidado
Primeiro, eles fizeram uma lista de candidatos com um critério adaptável à escolha de quem eles querem que vá.
Exemplo: Renan Santos. No levantamento Real Time Big Data divulgado nesta quinta-feira (1º), ele tem 4% na pesquisa estimulada e 3% na espontânea, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. Mas o candidato do Missão ficou de fora.
Zema pode, Renan não — e Kássio explica.
E tem mais: por que Kássio Nunes, presidente do TSE, mandou o Zema ir, dizendo que ele “tem direito a ir ao debate”, sendo que ele está com 1%?
O mesmo Kássio que disse não ao Renan.
A explicação é política: interessa ao Flávio que o Zema vá.
Zema é o Padre Kelmon desta eleição, linha auxiliar do Flávio. Inclusive, está discutindo retirar a candidatura na última hora para ajudá-lo.
O massacre anunciado
E aí chegamos ao ponto central: o que aconteceria com Lula naquele palco?
No formato armado pela Globo, Lula seria massacrado. Não só pelos candidatos, já que todos iriam bater nele, mas também pelas regras do debate.
Na hora em que Lula pedisse direito de resposta, o pessoal da Globo diria: “não. É um debate normal. Aqui as pessoas podem discutir o que quiserem, atacar do jeito que bem entenderem. Viva a liberdade!”. E Lula ficaria apanhando.
O contra-ataque no Flow
A saída: Lula vai ao Flow Podcast, no mesmo horário do debate da Globo.
E existe uma possibilidade interessante aí: transformar a entrevista em uma espécie de contraponto ao debate. Espero que ele faça um react e desarme a armadilha da Globo. Enquanto os candidatos estiverem falando lá, Lula está respondendo aqui.
Em vez de simplesmente desaparecer do principal debate televisivo da reta final, ele pode ocupar o espaço de uma entrevista mais longa e reagir ao que estiver acontecendo.
Esse será o melhor formato. E isso vai reduzir os danos que a ausência poderia provocar no resultado final das eleições.
A Globo terá seu debate.
Lula terá o Flow.
E o resultado dessa disputa de narrativas vai depender muito do que cada um conseguir fazer com a atenção do eleitorado nesta reta final.
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Renado Rovai, jornalista do site Forum - nas redes sociais.





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