Cultivo, desde sempre, o hábito de fazer pequenas caminhadas “armado” com uma máquina fotográfica ou, na pior da hipóteses, com um simples celular. Assim, em vez de simplesmente exercitar o músculos, alimento meu espírito de inutilidades líricas: flores, folhas, borboletas, pássaros, bichos miúdos...
Ontem, encontrei um casal de corujas-buraqueiras num dos muitos portões da UFPI. Essa corujas (conhecidas como caburé) cavam buracos no solo para construir seus ninhos. O casal não estava aflito, mas atento. Aproximei-me o suficiente para fotografá-los. Fui advertido por um deles. Entendi e afastei-me. Hoje, voltei a encontrá-los, sempre atentos, vigilantes. Ignorei as advertências e descobri algo insólitos: o casal construiu o ninho num prosaico cano de PVC. Os filhotes já estão quase prontos para encarar os desafios do mundo...
Filosofei bestamente: escorraçados do seu habitat, perseguidos e ameaçados, os animais tentam adaptar-se a um realidade que lhes é hostil. É a vida pedindo passagem!
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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