Não preciso de pesquisa pra saber que a grama é verde. Quem conhece um pouquinho o Rio de Janeiro (e eh, modéstia às favas, conheço muito) sabe que a população das favelas está desesperada. Os criminosos faccionados estupram, matam, extorquem. Bailes funks durante toda a madrugada, atrapalhando a vida, sujando as ruas, seduzindo a juventude. Castro sabia exatamente o que estava fazendo. O saldo político para a direita foi muito positivo.
E a esquerda precisa, de uma vez por todas, reconhecer que seu discurso sobre segurança pública está derrotado, desmoralizado.
- Policial é trabalhador e deve ser respeitado. A atividade policial deve ser controlada, óbvio que sim. Mas a violência policial não é o principal problema da segurança pública no Brasil.
- Não é possível combater o crime organizado sem a violência legal, que é prerrogativa do Estado. Homens armados que recebem as formas policiais com fogo devem ser neutralizados.
- Não existe genocídio negro. Não existe guerra racial no Brasil. Nosso povo é mestiço. Nosso drama é social, encarnado em territórios ocupados por corporações capitalistas. Os corpos mortos eram brancos, pardos, mestiços e, também, negros. A realidade brasileira não cabe no imaginário que parte da esquerda insiste em importar dos EUA.
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Rodrigo Perez de Oliveira - é doutor em história e professor da Universidade Federal da Bahia.






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