Cultivo, desde sempre, um hábito tolo: passar o dia inteiro cantarolando uma cantiga que, sem razão aparente, aflorou-me à mente. Às vezes, por não me lembrar da letra, me limito a repetir o refrão. A cantiga de hoje é “Irene”, uma homenagem do Caetano à irmã mais nova, Irene Veloso. Um fiapo de letra, uma melodia singela: uma canção bonita. “Eu quero ir, minha gente/ eu não sou daqui/eu não tenho nada/ quero ver Irene rir/ Quero ver Irena dar sua risada”. A música foi gravada em 1969. Não fez grande sucesso.
Ao que importa: em 1970, eu já estava em sala de aula no Elias Torres, um curso madureza, mais tarde supletivo. Na minha primeira turma havia uma aluna de nome Irene. Era miúda, cabelos encaracolados e um sorriso de acender manhãs. Quando eu chegava ao colégio, a Irene estava à minha espera, na porta, para brindar-me com seu sorriso estelar. Eu me sentia abençoado, entrava na sala e mandava ver...
O tempo e os contratempo vão nos separando das pessoas que amamos. Não sei por onde andará “minha” pequena Irene. Mas se estiver alegrando o dia de alguém, já me sinto um tantinho feliz...
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Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais.






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