O coreto, a banda de música e as paqueras ao redor da praça formam uma das imagens mais nostálgicas das cidades do interior brasileiro. Durante décadas, a praça era o verdadeiro coração da vida social, onde história e memórias se entrelaçavam em cada domingo ou noite festiva.
O coreto, geralmente erguido no centro da praça, era palco das apresentações da banda municipal. Ali, dobrados, valsas e chorinhos ecoavam pelo ar enquanto famílias inteiras se reuniam para ouvir a música. Os músicos, fardados com orgulho, transformavam o espaço em um espetáculo que encantava crianças, adultos e idosos.
Enquanto a banda tocava, a praça se tornava também cenário de encontros e olhares discretos. Era comum ver os rapazes caminhando em um sentido ao redor do coreto e as moças no sentido contrário — um ritual quase silencioso de paquera, feito de sorrisos tímidos, olhares demorados e conversas que começavam devagar. Muitos namoros e até casamentos nasceram nesses passeios circulares.
Mais do que simples elementos urbanos, o coreto, a banda e a praça representam uma época em que a convivência era mais próxima e o tempo parecia passar mais devagar. São lembranças que guardam o som da música ao entardecer, o perfume das flores da praça e a emoção das primeiras paixões — fragmentos de uma memória coletiva que ainda vive no coração de quem experimentou esses momentos.
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José Santana Carneiro, fotógrafo - nas redes sociais.






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