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Segunda-feira, 09 de março de 2026
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08/03/2026 - 16h01

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08/03/2026 - 16h01

Mulheres assumem protagonismo na agricultura familiar do Piauí

Na zona rural de Teresina e nos municípios, mulheres participam ativamente de todo o processo de produção da agricultura familiar.

 

Leslly Raquel (Foto: Arquivo Pessoal)

 Leslly Raquel (Foto: Arquivo Pessoal)

A presença feminina na agricultura familiar é realidade no Piauí. Tanto na capital quanto no interior, as mulheres participam de todas as etapas da produção — do plantio à comercialização. E essa realidade é refletida nas ações de apoio do Governo do Estado, que prioriza as mulheres rurais em suas políticas públicas na área da agricultura familiar, por meio da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF). “Temos priorizado as mulheres rurais em nossas políticas públicas e, em quase todos os programas, 30% dos recursos são destinados a projetos apresentados por elas”, destaca a secretária da SAF, Rejane Tavares.

Na localidade Malhada Alta, no município de Coivaras, a produtora Leslly Raquel Costa dos Santos preside a Associação de Produtores e Criadores do município. Em uma área de seis hectares, ela cultiva principalmente melancia — carro-chefe da produção — além de milho, feijão verde e outras culturas. Cerca de 10% da produção é comercializada por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa de Alimentação Saudável (PAS).

“Em 2025, produzimos 179 toneladas de melancia e conseguimos escoar volumes significativos, semanalmente, principalmente para a Nova Ceasa”, explica Leslly. Todavia, apesar dos avanços, ela destaca que a comercialização ainda é um desafio. “Mas, com trabalho, fé e persistência, seguimos avançando”.

A produtora conta que o projeto mantém um funcionário fixo e, durante o período de colheita, gera até seis empregos temporários. “Contribuímos para a economia local, tendo a Nova Ceasa como nosso principal cliente. Além disso, também trabalhamos com vendedores das cidades de Altos, José de Freitas e Jatobá do Piauí”.

Melancia é destaque entre os produtos cultivados em Malhada Alta (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Leslly, trabalhar na agricultura é mais do que uma atividade econômica. “A agricultura representa força, persistência, esperança e amor pela terra. É acordar cedo, enfrentar inúmeros desafios e, ainda assim, acreditar que vale a pena”, afirma.

Desde 2003 na atividade, Cleidimar Oliveira de Araújo Sousa, do Assentamento Vale da Esperança, na zona sudeste de Teresina, também construiu sua história na agricultura familiar. Antes de se tornar produtora rural, trabalhava como autônoma. Hoje, cultiva hortaliças, tanto em seu quintal quanto em uma área coletiva do assentamento. E foi uma das primeiras a participar do projeto de agricultura familiar da comunidade. “Cultivo hortaliças, feijão, milho, alface, verduras, macaxeira e abóbora. Também crio carneiro, codorna, galinha e capote”, conta.

Segundo ela, a agricultura trouxe uma nova dinâmica para a família. “Trabalhar com a agricultura aumentou nossa renda. Recebemos apoio de entidades públicas e comercializamos nossos produtos para o PAA e o PAS”, explica. A renda média da família proveniente da agricultura chega a cerca de um salário mínimo, sem contar os alimentos destinados ao consumo próprio.

Cleidimar conta com o apoio do marido, Tadeu Vieira, e do filho, e tem planos de ampliar a área cultivada. “A agricultura é uma renda complementar importante. Trabalhamos de forma orgânica e comercializamos nossa produção na feira realizada na Universidade Federal do Piauí”, acrescenta.

Produtora em Teresina (Foto: Arquivo Pessoal)

Outra história de protagonismo feminino vem da Serra do Gavião, na região da Cacimba Velha, em Teresina. A agricultora Antônia Soares de Moura Costa, conhecida como Toinha, encontrou na agricultura uma forma de gerar renda e fortalecer a economia familiar.

Ela trabalha em sua propriedade de três hectares e também participa do cultivo em uma área coletiva de oito hectares do assentamento, junto com outros 30 produtores — sendo 16 mulheres. “Cultivo banana, caju e acerola, além de criar galinhas. Aproveito tudo do caju: faço doce, paçoca, caldo, pão recheado com carne de caju e também conserva com sal e vinagre”, relata.

De acordo com a agricultora, os produtores comercializam parte da produção por meio do PAA e do PAS, além de participar de feiras organizadas pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) na Universidade Federal do Piauí, em condomínios e em repartições públicas. “São cerca de dez feiras e, com a comercialização dos produtos, nossa renda gira em torno de R$ 1,6 mil por mês”, afirma.

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