Tudo que se refere ao poeta Torquato Neto, em princípio, me interessa. por essa razão fui assistir ao show da cantora mineira Patrícia Ahmaral, atração do projeto seis e meia, no Teatro 4 de setembro. Patrícia canta bem, leve, simpatissíssima e mostrou-se autorizada a encarar a obra cancionista de Torquato.
As canções receberam interpretações pontuais, com economia instrumental, composta apenas por um guitarrista/baixista e um set de percussão. Ainda que os arranjos tenham sido conviventes, em alguns momentos senti falta de massa sonora maior, mais volúpia.
Em geral, a concepção do show me foi compreendida e funcionou, malgrado algumas falhas técnicas. O som, por exemplo, não correspondeu, e houve deslizes no uso do datashow, o que parece ter desconcentrado a cantora, perdendo o roteiro em alguns instantes. Isso não é bom, em arte a forma precisa imbricar-se à expressão. e o espontaneísmo pode ser um risco, artista nenhum precisa pedir desculpas no palco.
Outra coisa, confesso que não entendi a participação da cantora Fernanda Takai, ela é legal, mas me pareceu deslocada à proposta de leitura da obra de Torquato. Restou um mero encontro de amigas cantoras mineiras se divertindo ali.
O show tem força artística, só precisa ajustar-se melhor dentro de sua estrutura conceitual. Patrícia Ahmaral expressa maturidade, faz imersão honesta e esclarecida à obra torquatina e aos contextos em que esta se realizou, fez a prova dos nove, soube vestir os Parangolés.
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Feliciano Bezerra, professor doutor da UESPI e músico - nas redes sociais.






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