O governo Lula acredita que a oposição não tem fôlego nem votos para travar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas — e muito menos para emplacar compensações bilionárias às empresas ou cortes de direitos trabalhistas.
Nos bastidores, a leitura é que o centrão já entendeu o risco político e prefere não pagar esse preço diante do eleitorado. Com centrão e aliados alinhados, resta à oposição espernear, obstruir e ganhar tempo — mas até isso tem limite.
O PL de urgência constitucional funciona como pressão ao trâmite da PEC: se o Congresso não decidir, a pauta inteira trava. Do outro lado, a tentativa de atrelar a proposta a subsídios ou flexibilizações trabalhistas soa, para o governo, como chantagem disfarçada de negociação.
Pagar apenas pela hora trabalhada e ignorar a jornada? Negociar jornada individualmente? Para o Planalto, isso desmonta garantias básicas e empurra os mais frágeis para acordos desiguais.
No fim, o recado é claro: ou vota a favor ou arque com o custo político depois.
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Leonardo Sakamoto, jornalista do Uol - nas redes sociais.






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