Ontem entrei numa livraria, com vocação de papelaria, para comprar justamente um caderno com certa especificação, a pedido de minha filha. Como sempre fazemos, os adoradores, em loja de livros, fiquei manuseando exemplares, lendo orelhas, ativando vontades nas lombadas dispostas nas gôndolas. Circulando ali, ocorreu-me o pensamento, nada inusitado e quase sempre pedagógico: o livro vai acabar? bem, a resposta é simples: não. Mas, naquele instante tive estranha sensação, olhando aqueles objetos, guardadores de linguagens, perfilados cada vez em menores espaços, se eles realmente manterão sua utilidade.
Repito, a questão não é nova, nem original e tampouco cabe suposta revelação filosófica ou algo assim, apenas nos serve de percepção para a atual realidade vivenciada pelo ato de ler, reduzido que está ao touch no celular.
Não sou apocalíptico e como todo habitante cognitivo deste planeta, também sou usuário contumaz das novas tecnologias (celular, Kindle…). contudo, leio livros e a mim incomoda um pouco a indômita indagação sobre a permanência deste representante revelador do campo simbólico da distinção humana.
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Feliciano Bezerra, professor doutor da UESPI - nas redes sociais.






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