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Segunda-feira, 31 de Ago de 2026
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cantidiosfilho@gmail.com

31/08/2026 - 05h02

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31/08/2026 - 05h02

Milagre em Dose Dupla

 

"Encontrei uma preciosidade que me acompanha há mais de 70 anos"

 "Encontrei uma preciosidade que me acompanha há mais de 70 anos"

Ontem, remexendo no velho “baú de inutencílios”, encontrei uma preciosidade que me acompanha há mais de 70 anos. Trata-se de um pequeno porta-retrato de metal com uma gravura da Virgem Peregrina de Fátima. A “descoberta” provocou em mim um dilúvio de lembranças.

Eu teria uns 7 anos de idade quando a Virgem Peregrina chegou à minha aldeia, no sertão do Piauí. Um acontecimento. Para ser mais preciso, dois: a imagem milagrosa e o avião que a transportava. A cidade inteira vestiu as roupas domingueiras para comemorar o evento.

A irmã mais velha decidiu levar-me para ver, no adro da igreja matriz, a imagem que peregrinava pelos serões do Brasil. Não foi uma boa ideia. A ruazinha que dava acesso à igreja era estreita demais para comportar a multidão que para lá afluíra. Nunca senti tanto medo de morrer pisoteado. De repente, sem a mão protetora de dona Dezinha, senti-me perdido, à mercê da própria sorte... Em prantos, invoquei a proteção da mãe de Deus e me salvei. Um milagre. Desde então, evito multidões.

Pouco tempo depois, nas proximidades da capelinha do bairro Aldeia, encontrei, no monturo, o retratinho da Virgem entre flores murchas... Estava sujo de terra e sem o suporta de metal para mantê-lo de pé sobre a mesa. Não me contive de tanta alegria: voltei correndo para mostrá-lo a dona Purcina. Esqueci-me de que a velha não gostava de menino “achador” de coisas. Era taxativa: “começa achando, depois furtando”.

E deu início a um longo e doloroso interrogatório. Como não havia testemunhas, era só a minha palavra que, por amor à verdade, não valia muita coisa...A irmã querida foi taxativa: “Essa imagem pertence à Socorro Aragão”, uma menina que morava em frente à capelinha. Preparei-me para o pior. Dona Purcina mandou investigar. Enquanto aguardava o resultado da investigação, comecei a chorar, certo de que não me livraria de uma sova conversada... Mais uma vez, invoquei à “Mãe dos desvalidos”. Prontamente, fui socorrido: a imagem da menina estava na mesa da casa dela: outro milagre.

Agora, reencontro a imagem num momento em que estou muito precisado da intervenção divina. Estou certo de que não serei abandonado. Assim seja.

*****
Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais. 

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