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01/12/2025 - 08h09

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01/12/2025 - 08h09

Pena pedagógica

 

 

Há comentários que não são “comentários”. São pequenos espelhos do país. Hoje, uma seguidora - Gisela Deschamps - deixou um desses.

Ela propôs a única “pena pedagógica” capaz de fazer sentido para quem transformou o Brasil num laboratório de crueldades baratas: colocar Bolsonaro para ouvir, de hora em hora, as próprias frases. Não precisa tortura. Basta um alto-falante. Quinze minutos. O suficiente para o sujeito sentir o gosto do que espalhou.

E a lista dela é um soco na memória coletiva:

“Não sou coveiro.”

“Deixa de mimimi.”

“Não seja maricas.”

“É só uma gripezinha.”

“Eu fecharia o Congresso na hora.”

“Sou a favor da tortura.”

“Trabalho infantil não prejudica em nada.”

“O erro da ditadura foi torturar e não matar.”

“Se morrer algum inocente, tudo bem.”

“Vamos fuzilar a petralhada.”

“O indígena devia comer capim.”

“Coitadismo: negro, mulher, gay, nordestino, piauiense.”

E por aí vai - porque vai muito longe. Tão longe que a gente até esquece que foi real. Que foi dito. Repetido. Aplaudido. Naturalizado.

O Brasil passou cinco anos ouvindo isso sem descanso.

A diferença é que, na gente, doeu. Na gente, marcou. Na gente, ficou o estrago.

E o mais poderoso do comentário da Gisela não é a lista. É a conclusão: ele não merece anistia, compaixão nem descanso porque nunca demonstrou um único gesto de humanidade para quem não fosse da própria família.

Não é vingança. É memória. É civilização se defendendo.

E é isso que assusta tanto.

Porque quando o país lembra, o país acorda. E quando o país acorda, não tem mais espaço para mito - só para responsabilidade.

O resto é justiça.

*****

Julio Benchimol Pinto, Advogado - PhD pela UnB com pós-doutorados em Oxford e Duke - nas redes sociais.

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