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Segunda-feira, 29 de Jun de 2026
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29/06/2026 - 06h30

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A Copa a Toda Prova

 

A prova pelo Hexa pela redenção Pindorâmica

 A prova pelo Hexa pela redenção Pindorâmica

Costumo usar um acrônimo, inventado, só de brincadeira, quando vou aplicar prova junto aos meus estudantes. é o TPP (tensão pré-prova), serve para tentar descontrair a moçada e diminuir a tensão, que realmente existe. Quem experimenta ou já experimentou tal situação sabe como a reação se verifica em nosso equipamento psíquico, uma ânsia aflitiva difícil de ser controlada.

O vocábulo ‘prova’ vem do latim ‘proba’, que é o substantivo derivado direto de ‘probare’, significando testar, examinar, aprovar, demonstrar que é bom. e por sua vez ‘probare’ vem de ‘probus’: bom, honesto, correto, íntegro. Os sentidos do significante são vários: Há o jurídico, argumentativo e científico, em que provar é demonstrar, evidenciar e comprovar; outro sentido aplicado é o de experimentar, degustar; e há também o de sofrer, experimentar algo difícil. O campo semântico ainda se estende para as sinonímias de ‘teste’ e ‘avaliação’, que parecem soar mais eufêmicos.

Nesta copa do mundo, torneio de futebol poderoso e que nos envolve das mais diferentes maneiras (até na tentativa de negar), experimentamos várias possibilidades de provas. Mesmo na condição de meros espectadores estamos implicados como avaliadores de tudo o que acontece ali.

É claro que, com mais angústia do que nós, os responsáveis e envolvidos diretamente nessa espetacular cadeia de entretenimento sentem o peso maior do ‘probare’, pois tudo gira em torno desta condição humana, de provar e comprovar superioridades, numa emoliente cadeia estrutural de capacidade e poder.

Os países, os movimentos das nações, as rotas aéreas na travessia de uma arrojada e momentânea diáspora de povos e culturas, os talentos dos atletas, os craques e seus incríveis hat tricks, os favoritos, as zebras, os avanços tecnológicos, os assombros diante das assimetrias de realidades econômicas, as diferenças étnicas, as informações subliminares do mapa geopolítico, o cálculo estratégico das organizações e corporações, as disputas de espaços para o lucro, o poder tentacular da FIFA, a avassaladora onipresença amoral das bets…

Os lirismos, as emoções sinceras, o humor rimando com amor, os efeitos explosivos da vitória, os recordes, a ludicidade em escala industrial, as surpresas estéticas dos signos visuais, as disputas narcísicas, o design das vantagens, as cores, as entradas e bandeiras, o hino, o viés identitário e patriótico, a presença decolonial das seleções africanas, as lides de superação em campo, o imprevisível como possível, as tremendas frustrações, as sabedorias atléticas, as fugas da caverna platônica…

A volúpia do espetáculo alcança seu Olimpo do prazer glorificado e se impõe durante a copa do mundo de futebol. os MESSIanismos, os CRISTIANismos, as HAALANleluias, as MBAPPrédicas, as VINIJuras são representantes das liturgias mitológicas de nossa cosmogonia ludopédica.

Diante de tão faustoso evento, resta-me a expectativa de prova da vontade de potência brasileira e esperar o hexa, como redenção Pindorâmica.

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Feliciano Bezerra é professor doutor da UESPI - nas redes socaisi. 

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