A expressão “bandidos de farda” é amplamente utilizada no Brasil para se referir a agentes de segurança pública (policiais e militares) que utilizam suas posições e uniformes para cometer crimes, como formação de milícias, tortura, corrupção e homicídios. O termo também intitula importantes trabalhos de investigação jornalística e documentários que expõem desvios de conduta e violações de direitos humanos dentro das instituições.
Porque trago este assunto hoje? Nesse domingo, 17 de maio de 2026, às 20:00h, o ICL (Instituto Conhecimento Liberta) exibiu um Documentário muito importante sobre: a Tortura no Brasil na época de chumbo grosso da Ditadura Militar. Todos sabemos que os 21 anos de ditadura foram de massacre a quem se identificava contra o regime militar. Mas sabemos que entre os 5 governantes no regime militar 1964/1985, o mais carrasco foi o governo Médici (1969/1974).
O Jardim dos Gafanhotos. O amigo, jornalista, historiador e escritor piauiense Chico Castro, publicou em abril de 2024 o livro: Médici: O Jardim dos Gafanhotos. Neste livro que recomendo a leitura, iremos encontrar os mais absurdos que a história oficial não conta sobre tortura no Brasil. Dentre os 442 torturadores reconhecidos em 1979, estão na lista pelo menos 21 militares de alta patente das Forças Armadas, como divulgou um jornal da época. No listão, já apareciam nomes de políticos, executivos e empresários. O nome do coronel do Exército Brilhante Ustra, um conhecido torturador, denunciado por dezenas de presos políticos, inclusive pesando contra ele a acusação de ter cometido crimes hediondos, foi anos depois investigado pela Comissão Nacional da Verdade.
Casa da Morte de Petrópolis, RJ. O exemplo mais gritante dos absurdos da ditadura, que pouca gente no Brasil sabe, foi a instalação da Casa da Morte de Petrópolis, localizada na região serrana do Rio de Janeiro. Só uma pessoa sobreviveu ao calvário, Inês Etienne Romeu (1942/2015, foi uma integrante da guerrilha contra a ditadura militar brasileira 1964/1985. Militante e dirigente das organizações de extrema esquerda Vanguarda Popular Revolucionária VPR, VAR-Palmares e POLOP), depois de sofrer estupros e todo tipo de perversão. A Casa da Morte foi criada clandestinamente por um órgão do Exército Brasileiro (CIE), em 1971. Naquele mesmo ano, aconteceu a morte do ex-deputado federal Rubens Paiva (1929/1971), numa das dependências do I Exército, no RJ. A ordem era não “ter líderes presos da resistência e que todos os dirigentes seriam sumariamente mortos, após interrogatório”. Muitas mulheres foram torturadas com choques elétricos na vagina. Os torturadores eram sórdidos. Matavam pelo prazer de matar, depois serravam os corpos, ou colocavam ácido, para não deixar vestígio algum. Em outras situações, arrancavam os dedos e tiravam a arcada dentária das vítimas. Na Casa da Morte de Petrópolis, nos dias de folga dos torturadores, o local era visitado por prostitutas que para ali se dirigiam, com o intuito de satisfazer o delírio sexual dos supliciadores e de outras pessoas que cuidavam do ambiente. Alguns artistas de cinema, teatro, televisão e apresentadores famosos chegaram a participar como espectadores de sesões de tortura e de execuções, (Jardim dos Gafanhotos, Chico Castro). Esse era o retrato fiel da ditadura. Muito me entristece, em pleno século XXI, ano 2026 ver e ouvir jovens pedindo a volta dos militares (precisam estudar mais).
PENSE NISSO!
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José Teófilo Cavalcante. Conselheiro de Saúde, Defensor Intransigente do SUS, 100 público (sem organização Social), Diretor do SINTSPREVS/PI.






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