De um lado o grandioso poema épico de Homero, Odisseia, do outro, o bem realizado filme de Christopher Nolan. Tratam-se de dois sistemas semióticos distintos, embora narrem os mesmos episódios mitológicos gregos (Nolan também mostra passagens que Homero discorre na Ilíada) e apresentem o mesmo herói. Essa distinção há de ser observada quando se vai para o campo analítico das obras. No caso da tradução intersemiótica para o cinema feita pelo diretor inglês ao mito de Odisseu, o valor estético e a assinatura precisam atender à estrutura cinematográfica, só assim poderá ser melhor avaliada, mesmo quando se aplica teorias do comparativismo, da interartes ou de adaptação.
Dito isso, poderia partir agora para uma pequena análise do filme, ao qual assisti com ajustado interesse, mas, creio que já se tenha razoável fortuna crítica, larga discussão em torno do monumental filme de Nolan, muitas equivocadas e forçadas, outras excelentes e precisas. O bom de tudo é esse aquecido interesse em torno do épico incrível, desta narrativa poética encantadora. Espero que o frisson leve mais leitores a Homero, que não fique apenas como propriedade de helenistas e especialistas, volte a ter sua força inaugural de tradição oral, de popularização do imaginário narrativo.
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Feliciano Bezerra, professor doutor da UESPI - nas redes sociais.





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