"Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões e destrui-las de vez".
É o início do conto "A Igreja do Diabo", do Machado de Assis.
E seguem as justificativas e os objetivos da nova igreja.
Ao ler, a cada uma vejo na minha imaginação o rosto desses vigaristas que hoje ocupam longas horas das emissoras de rádio e de TV.
Há mais de cem anos, o Bruxo do Cosme Velho já os descrevia com perfeição abrindo a coletânea publicada no livro "Histórias sem Data".
Primoroso.
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Laurindo Leal Filho, professor doutor e sociológo brasileiro - nas redes sociais.





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