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Segunda-feira, 14 de Set de 2026
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cantidiosfilho@gmail.com

14/09/2026 - 07h46

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14/09/2026 - 07h46

Pequena Crônica Azul

 

"Como chegou, se foi, deixando no ar um inefável cheiro de relva molhada"

 "Como chegou, se foi, deixando no ar um inefável cheiro de relva molhada"

Indiferente às agruras dos homens, a manhã seguia o seu curso. É da natureza do tempo ignorar as atribulações humanas. De minha parte, eu só esperava uma chuvinha branda no meio tarde, um café esperto e aquele poema do Quintana sobre brinquedos antigos pendurados “na galharia morta”...

No facebook, as mesmas mensagens construídas com clichês antigos enviadas por “amigos” cujas histórias desconheço. De repente, me deparo com um verso tresmalhado na página de uma moça com síndrome de Narciso. Dir-se-ia um verso banal não fosse o fato relevante de, alguns minutos depois, saltar do plano do imponderável para a realidade tangível: “Você me beijou e eu voltei do espaço, com poeira da lua nos sapatos...”

E eis que, vestida de azul, com os cabelos orvalhados de ternura, uma menina linda como a claridade da hora, feita de porcelana e sonho, adentrou a sala, iluminando tudo com o seu sorriso estelar... Por curto espaço de tempo, falamos de coisas banais, sorvemos goles de cajuína e rimos como crianças que se descobrem capazes de amar...

Como chegou, se foi, deixando no ar um inefável cheiro de relva molhada, um cheiro, suave e penetrante, que teima em permanecer em mim como se emanasse de minha alma Só então me dei conta de que havia poeira lunar nos meus olhos...

*****
Cineas Santos é professor, escritor, poeta e produtor cultural - nas redes sociais. 

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