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Sabado, 03 de Out de 2026
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Iane Carolina

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contato@acessepiaui.com.br

03/10/2026 - 20h55

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03/10/2026 - 20h55

Pelos Jovens na Universidade

 

"Voto pela emancipação das mulheres, pelo SUS, pela vacina."

 "Voto pela emancipação das mulheres, pelo SUS, pela vacina."

Caro leitor, preciso avisar que este texto traz os motivos do meu voto nestas eleições baseado em experiências extremamente pessoais. É uma carta, um manifesto sobre a minha escolha neste domingo, 04 de outubro de 2026.

Eu nasci em Teresina, em 1984. Filha de uma família humilde e de uma mãe solteira. Era assim que se chamavam as mães solo. Minha avó era faxineira e meu avó trabalhou no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas abrindo poços artesianos pelo interior do Piauí. Nasci rodeada de cinco tias, que ajudaram a me criar.

A minha família sempre me disse que o meu futuro seria construído pela educação. Cresci ouvindo isso e consegui passar no vestibular da Universidade Federal do Piauí para Jornalismo, e da Universidade Estadual do Piauí para Geografia. Acabei seguindo com o Jornalismo.

Eu era a primeira da minha família a entrar na universidade. O ano era 2002. Vivemos uma era de transformações: o Plano Real trouxe melhoras para a economia, mas o país vinha de um passado obscuro com a ditadura, o Governo Collor e a era FHC. Inclusive, Fernando Henrique Cardoso era o presidente naquela época. Ao entrar na universidade, vi uma instituição sucateada, esquecida. Para além dos muros da UFPI, muitas pessoas não tinham o que comer. A mortalidade infantil era altíssima.

Lula então venceu as eleições. Ficamos frustrados por conta da aliança com o PMDB, mas seguimos. Logo eu vi a universidade se expandir: eram novos cursos, novas vagas, investimento para infraestrutura física, laboratórios, tecnologia, livros. Daqui a pouco veio o sistema de cotas – estas que eu era contra na época.

Não demorou para que os pobres pudessem realmente ocupar o lugar que lhes era devido: a universidade. Porque não basta se contentar com os cursos menos concorridos, geralmente afetados pela desvalorização salarial, era preciso ceder o lugar dos cursos mais disputados: direito, medicina, engenharia, etc. Nós tomamos a universidade!

Eu me formei após quatro anos e consegui passar em um concurso público. Sim, porque fazer concurso é essencial para a ascensão de pessoas com menor poder aquisitivo. Meus primos foram beneficiários do bolsa família. Filhos de pais separados e mãe desempregada, o auxílio era muito importante na alimentação da família. O Fome Zero trouxe segurança alimentar para milhões de brasileiros.

Meu irmão entrou na faculdade de engenharia pelo Fies. Uma prima conseguiu cursar Enfermagem pelo Prouni. Um outro primo conquistou a vaga de medicina, logo após estudar com bolsa em uma escola particular. Pouco a pouco nossa vida era estruturada pela educação e pelas políticas de assistência social. 

Chegou a pandemia. Eu quase morri de covid. Entrei na UTI com 80% do pulmão comprometido. A mesma pessoa que foi a primeira da família a se formar, foi a que primeira pegou covid – e quase morreu. Vi vários amigos partirem. Achei que não escaparia. Por isso, não há como ser anti-vacina.

Hoje, além de servidora pública, sou produtora cultural e elaboro projetos para artistas do Maranhão e Piauí. Entre as principais leis de fomento com as quais eu trabalho, consigo remuneração para mais de 50 artistas com a Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc – vetadas integralmente pelo Governo Bolsonaro, com veto derrubado pelo Congresso. O Congresso que também vetou o orçamento para a PNAB em 2026, mas que teve seus recursos mantidos pelo atual governo. 

Há dez anos eu sou diagnosticada com uma doença e preciso de remédios de alto custo. Então fiz o pedido e há quase dez anos recebo mensalmente cerca de R$800 em remédios na farmácia de dispensação de medicamentos especializados, pelo SUS. 

Meu marido teve isenção do imposto de renda por ganhar abaixo de R$5 mil. E sim, eu pago 27% do meu salário de imposto de renda, mas eu sei que ele faz parte dos recursos que ajudam a financiar os programas sociais para pessoas que mais precisam, além das obras públicas. Hoje, esse imposto ajuda a manter outra pessoa na universidade.

Esta semana uma pessoa me falou que é a favor da alternância de poder. Eu concordo, desde que a alternância favoreça uma família que zomba de pessoas morrendo de covid, que leva a milhões de famílias a disputarem ossos para se alimentarem, que incita o ódio contra jornalistas, contra os artistas. Que é contra a cultura até o dia em que produz um filme com o intuito claro de desviar milhões. Que incita o preconceito racial, a intolerância contra pessoas gays, lésbicas, trans, etc. Essa troca eu não faço.

O governo do PT não é perfeito, eu sei. Mas é o único na história do Brasil que permitiu que as instituições, como a Polícia Federal e o Ministério Público, pudessem fazer as investigações sem interferência. Na primeira oportunidade a extrema direita protege os seus e veta qualquer investigação relacionada. Porque eles são a favor da família: a família deles.

Espero realmente que em um futuro próximo possamos ter outros candidatos que mantenham o compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária. Mas, no momento, não há como tolerar que a Família Bolsonaro construa uma oligarquia em nível nacional. 

Como no texto feito anteriormente, este não é um pedido, é uma declaração de voto. Eu voto no Lula desde que tinha 16 anos de idade. Não sou filiada ao PT. Nunca fui. Mas não me importo se pessoas me odiarem pela minha preferência política. Minha consciência de ver as pessoas entrando na universidade e saindo da linha da pobreza é o que me faz acreditar nas minhas convicções.

Eu sou jornalista e artista e voto por quem defende a democracia, a cultura e as pessoas mais pobres. Eu voto pela mulher que disse ao filho que ele nunca ia precisar comer farinha com açúcar para matar a fome. Eu voto pelos jovens na universidade, pela emancipação das mulheres, pelo SUS, pela vacina. Nestas eleições, eu voto 13.

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Iane Carolina é jornalista e especialista em Comunicação Empresarial pela Universidade Metodista de São Paulo.

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