Após ser aprovada na CCJ do Senado, a proposta que acaba com a escala 6x1 foi engavetada por Davi Alcolumbre até o fim das eleições. A justificativa, defendida por Flávio Bolsonaro e aliados, é que votar agora poderia desequilibrar o pleito. Mas é justamente o contrário.
Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 78% dos brasileiros apoiam o fim da 6x1, com redução da jornada de 44 para 40 horas e sem corte salarial. Entre os que defendem a mudança, 61% se consideram de direita, ou seja, é pauta que interessa a todo o espectro ideológico.
Eleitoreiro não é votar uma pauta com apoio de oito em cada dez brasileiros. Eleitoreiro é escondê-la das urnas para evitar que Lula, que passou a patrociná-la, seja beneficiado diante de Flávio Bolsonaro, que se opõe à mudança.
O adiamento ainda reduz as chances de aprovação. Com dois terços do Senado em disputa, a eleição aumenta a pressão popular sobre os parlamentares. Depois dela, essa pressão diminui e volta a pesar a influência do cascalho grosso.
Alcolumbre, portanto, não está retirando a influência da 6x1 na eleição. Está interferindo nela ao impedir que os eleitores julguem seus senadores diante de uma pauta apoiada por quase 80% do país.
E deixa mais claro quem Brasília prefere ouvir quando o desejo da maioria confronta os interesses econômicos.
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Leonardo Sakamoto, jornalista - no Uol





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